domingo, 3 de junho de 2012

A chuva caía lá fora. A casa estava em silêncio, todos que residiam ali já haviam ido dormir. Ela estava um pouco sonolenta também, admitia, mas não tinha vontade de ir se deitar, embora no dia seguinte tivesse que acordar relativamente cedo para ir trabalhar. A noite era fria, e o barulho da chuva só trazia conforto para o sono, o cheiro da varanda molhada exalava e embora as portas estivessem fechadas, ela podia sentir o frescor da noite chuvosa. Sentada em seu sofá, ela olhava de um lado para o outro, às vezes pairando olhares sobre algum objeto que ali na sala se encontrava. Parava e ficava pensando, apenas refletindo. Tentando entender o que havia acontecido desta vez, porque ela havia se entregado, porque ela estava passando por aquilo. Ela se perguntava como pode ter entendido errado, como pode acreditar que daria certo com tantas coisas indicando o contrário. Ela pensava em como, depois de tanto tempo, deixou que o coração falasse mais alto que sua razão. Ela queria saber, o que aconteceria dali pra frente. Mas ela sabia que não encontraria respostas, o que lhe restava, era esperar que o futuro chegasse por si próprio e lhe mostrasse o que se sucederia. Ela respirava fundo enquanto pensava. Se perguntando porque esta história de amores nunca tivera dado certo pra ela, e ela já estava cansada de ouvir dizer que “uma hora há de dar certo, você vai encontrar a pessoa certa pra você.”. Ai ela se questionava com, porque a “hora certa” nunca chega, porque a “pessoa certa” nunca aparece, e se apareceu como não ficou ? Sim, ela estava confusa, estava perdida em meio a tantos sentimentos. Ela já não sabia mais o que sentir, não só fisicamente mas seu coração também já estava perdido. Ela estava cansada de tudo, vivia com dores e nenhum médico foi capaz de lhe receitar algo que acabasse com essas dores físicas. Ela já havia desistido de muita coisa. Só não havia deixado a desistência atingir seu objetivo profissional. Ela ainda frequentava as aulas da faculdade. Ia todos os dias, disposta (às vezes não muito) para uma aula produtiva e que lhe fizesse se sentir capaz. Ela ainda trabalhava aos finais de semana quando podia, mas a cada dia perdia mais a vontade de permanecer trabalhando no mesmo lugar. Estava prestes a se desligar do emprego, ela já não aguentava mais de fadiga. Precisava de um tempo só dela. Ela se prometia mudar a rotina, fazer algo diferente todos os dias, fosse escrever algo ou apenas sair para caminhar ouvindo um bom som ou apenas o som do vento e dos pássaros. Ela precisava mudar, mudar mais um pouco. Afinal, vivemos em um meio onde mudanças acontecem a todo o momento não é mesmo ? Ela queria aprender a ser mais auto-suficiente, queria aprender a não se preocupar tanto com as coisas e deixar de se importar realmente com a opinião dos outros, ela queria voltar a ser fria, isso nunca foi problema para ela. Bem, ela sabia que um dia acordaria disposta a mudar, e não via a hora para esse dia finalmente chegar e se concretizar.

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