domingo, 3 de junho de 2012


Eram 23:07 pm e ela estava acordada, como sempre. Normal, afinal, ultimamente ela estava indo dormir tarde demais para acordar cedo. Tudo bem, isso já havia se tornado uma rotina. Ela já estava se acostumando. Entretanto, sabia que aquela escassez de descanso não era boa para ela. Ela andava desgastada, cansada demais de tudo e de todos. Queria colocar a vida em ordem, mas não sabia como. Cansou de procurar formas para sair daquela vida monótona e chata da qual havia se tornado. Não conseguia mais tentar, e acabou deixando que a própria vida fosse responsável por ela mesma. Os planos, e projetos de vida ? Não sabia mais aonde estavam. Tudo havia se tornado estável, aparentemente desinteressante. E o que mais ela queria era mudar alguma coisa, mas não tinha muitas forças, já havia gastado todas elas, em sua procura pela saída, a qual foi em vão. 
Ela era tão teatral, sabia interpretar tão bem que as vezes até ela mesma acreditava. Acreditava nos seus sorrisos falsos. Já estava se tornando boa demais em mascarar sentimentos, sensações e reações. Definitivamente ela sabia que não eram de fato, verdadeiros os sorrisos que ela dava. As risadas que de vez em nunca vinham por conta própria, existiam, mas não eram como os de antes: “rir até doer a barriga”.  Ela queria tanto algo que a surpreendesse e a fizesse se sentir viva e realmente realizada por um momento  se quer. Mas estava cada vez mais difícil. 
Ninguém desconfiava da pessoa em pedaços que residia dentro daquela menina que todos os dias estava alegre e sorrindo para todos. Ninguém, se quer se dava ao trabalho de entender realmente o que ela sentia, e isso a fazia sentir extremamente indiferente para todos. Não enxergava mais amor e carinho a sua volta. Tudo parecia sinônimo de drama e descaso. E ela sabia que não podia recorrer a ninguém, porque ninguém entenderia, tirariam conclusões como: “Você é a pessoa mais dramática do mundo. Precisa de uma psicóloga. vá se tratar!”. Ninguém ao menos tentaria entendê-la, não teriam nem tempo e nem paciência. Justo ela, que sempre havia dedicado seu tempo e carinho aos outros. Talvez tivesse dedicado demais. Ela sentia que seus amigos estavam se afastando cada vez mais, e não sabia o que fazer para impedir que se fossem. Havia pensado esses dias, porque nunca tivera a típica “amizade para sempre” da qual tanto ansiava. Se perguntava porque todos iam saindo de sua vida, e quando ela percebia, todos já haviam ido embora. 
Ela não queria isso. Realmente precisava de carinho. Precisava sentir que alguém a entendia, que alguém estava disposto a abraçar-lhe e confortar-lhe. Queria muito atenção de vez em quando, e queria mesmo ser alguém, para alguém. 
Ela sabia que não podia ter tudo. Nunca havia sido assim. Não acreditava que seria diferente. Mas ela realmente precisava. E àqueles que tanto considerava, as pessoas em quem ela tanto confiava e acreditava serem diferentes, estavam decepcionando-a. Sentia estarem fazendo o mesmo que os outros, a cada minuto, abandonando-a mais. Parecia drama, muito drama. Mas era o que ela estava sentindo. Queria mesmo acreditar que era idiotice dela, mas ela já não tinha mais certeza. 
E era por isso que ela não contava a ninguém como se sentia, porque se contasse, ela sabia: ninguém entenderia, logo, guardava suas angústias e sentimentos de depressão para ela mesma, fingindo sempre estar bem, e enganando a todos e ate à ela mesma. Vivendo em uma constante da qual precisava urgentemente sair, antes que enlouquecesse. 

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