domingo, 3 de junho de 2012


Não sei mais o que eu sinto, muito menos o que eu deveria sentir. Já não consigo mais acreditar em amores, simplesmente o sonho se foi. Se eu ainda sinto ? Com certeza ! Se eu demonstro ? Jamais ! E assim vai ser ? Sim, assim vai ser. Não vou demonstrar que ainda sinto, que me incomoda a não demonstração de carinho; mas sim, isso me atormenta e esmaga meu peito todos os dias. Mas eu posso guardar isso pra mim e ninguém precisa ficar sabendo disso, já que não teriam paciência para entender. Não vou dizer, não vão saber, você não vai saber, mas eu sinto. 
Há uma coisa dentro de mim que não acaba, que não vai embora. Um aperto frágil, mas que todos os dias se mostra presente, pelo menos em uma determinada hora do meu dia. Isso me mata, e é desgastadora a sensação. Quero eu mudar isso, mas não tenho forças mais, embora procure todos os dias por elas. Não cansei de procurar, mas cansei de não encontrar ! 
Sinto que o incomodo é menor do que de alguns meses atrás. E realmente é. Mas ele ainda permanece, em menor escala talvez, mas ainda permanece. E eu bem sei que ele não se vai esvaziar completamente. Vai se manter fixo em meu peito até que algo mais forte que ele tenha a capacidade de arrancá-lo de mim. Ou não. Ou talvez, essas marcas permaneçam em mim, como sinal de que eu me importei demais, talvez mais do que o necessário, talvez mais do que o esperado. E esse pode ter sido o meu erro. 
Se eu me importo ainda ? Já não sei mais. Com você, com certeza sim. Mas com a situação toda, já parece indiferente. Ter preocupação com o que pode acontecer, com o que pode vir a acontecer, isso já não existe mais. Aparentemente as expectativas se foram. Nenhuma delas se mantém mais. Em relação à nada. Já me preocupei demais e não me levou a nada. 
Fria ? Apenas reservada. Tentando esconder o que sente de verdade, tentando não ter que responder perguntas óbvias. Mantendo em segredo de todos o sentimento que ainda existe. Tentando não parecer fraca e indefesa, à medida que tento ser forte e segura. Tentando demonstrar que não preciso de ninguém, mas ao mesmo tempo sentindo extrema carência de carinho, amor e compreensão. Situações extremamente contraditórias, onde nenhuma delas leva a lugar algum. Onde as dúvidas em relação ao passado, presente e ao futuro são as mais torturantes, exatamente por não terem respostas, respostas que só poderiam ser dadas de uma forma, perguntando explicitamente, mas que é uma coisa que não poderia ser feita. Quebraria com as regras talvez. Com as minhas regras. 
Essas dúvidas constantes me desgastam extremamente, o que me deixa aflita a cada dia que passa, o que me faz refletir alguns dias que se sucedem. Essa mudança de sintonia, essa bipolaridade provocada nos últimos tempos, destrói qualquer um. Como levar ? Qual o método para seguir sem estas dissipações ? Há respostas certeiras que poderão ser oferecidas a minha pessoa, algum dia, antes que eu parta ? Quando isso se vai completamente, sem que os poucos sinais de incomodo me incomodem ? Isso é um sinal de amadurecimento ? Terá acontecido tudo isso, apenas para o amadurecimento ? Seria realmente necessário ? Quer dizer, o que acontece comigo ? Por que não consigo me entender e esse desentendimento me assusta hoje, já que sempre fui assim e isso nunca havia me questionado tanto ?
Não é apenas um motivo, são todos. Este motivo que imagina que seja a minha não-sintonia para comigo mesma, é apenas uma das questões. Aparentemente tudo parece levantar dúvidas e questionamentos. Tudo parece incomodo e sem respostas. Até quando ? Até quando as crises e desentendimentos internos vão permanecer ?

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