domingo, 3 de junho de 2012
A noite de segunda-feira nunca fora muito animadora. Era sempre uma monotonia desanimadora. Na realidade, seus dias eram muito monótonos desanimadores e ela, embora quisesse sair da mesmice do dia-a-dia, não conseguia. Ela sabia que ficar com aquele desanimo não era bom, e que quanto mais ela continuasse vivenciando aqueles dias de nostalgia, pior seria. Ela sabia disso, sabia que precisava sair daquela rotina sem sentido. Sentara-se em sua cama, ouvindo pelo fone de ouvido uma música que lhe agradara bastante, talvez pelo momento e por precisar de sons que tranquilizassem. Ela pensava, pensava que estava cansada de tudo aquilo. Queria ter certeza de alguma coisa, uma vez na vida. Ela era uma pessoa cheia de dúvidas e complexidades que nem ela mesma compreendia. Ela queria entender , precisava encontrar algumas respostas para suas questões. Mas não sabia a quem recorrer. Ela sabia que sua complexidade, se nem ela mesma entendia, não haveria alguém que entendesse. Ela fazia de tudo para acreditar que essa sensação de estar perdida, fosse apenas uma fase que logo passaria, e embora ela soubesse que passaria, ela só queria saber quando. Quando finalmente essa angústia de tantas dúvidas, seria finalizada. Aquelas dúvidas sobre o que fazer, sobre sua carreira, sobre seus sentimentos, sobre sua saúde, sobre sua vida, ela tinha tantas dúvidas. Pensava ela que tinha todas as respostas. Imaginava que já estava pronta para encarar os buracos e muros da vida, acreditava realmente que ela era a pessoa mais centrada, controlada e tranquila que ela conhecia. Ela realmente acreditava que era uma boa pessoa, mas às vezes tinha dúvidas e mais essa dúvida entrava na lista de algo para lhe atrasar a tocar sua vida como tocava antes das dúvidas aparecerem. Ela estava precisando de compreensão e demonstração de carinho sincero, precisava de alguém que a entendesse, apenas isso, e com isso ela conseguiria talvez, começar a enxergar o que há de bom nos dias, o que há de bom na vida que embora pareça, não perdeu todo o sentido. Ela precisava desatar aquela máscara que levava consigo que embora mostrasse que as coisas estavam bem; precisava mostrar que estava realmente bem, sem máscaras para ajudar.
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