domingo, 3 de junho de 2012


Ela nunca fora muito boa em expressar o que sentia. Fosse raiva, amor, tristeza ou alegria. Ou era de mais ou de menos. De fato, ou ela exagerava na dose ou subentendia-se que era indiferente para ela. 
Seu coração parecia alagado, transbordando sentimentos que nem ela mesma sabia quais eram. Sentia-se fraca, física e mentalmente. Não conseguia pensar em nada que lhe fosse útil. Apenas em como sentia-se… sufocada, estranha, desgastada. 
Havia algo que a incomodava absurdamente. Uma extrema sensação de vazio, uma incompreensão de si mesma. Ela não sentia, não conseguia encontrar seus sentimentos perdidos no meio do furação de  seu ser. Ela não conseguia mais chorar, parara de dar risadas sem motivo, havia perdido a concentração. Ela não queria ouvir barulhos, sons ou música alguma. Mas o silêncio a incomodava extremamente, então aderiu às músicas velhas e guardadas a algum tempo.
Seu coração pulsava desesperadamente, gritando por algo, sua cabeça rodava e pensamentos a rodeava, deixando-a confusa, perdida, prestes a entregar-se ao nada. 
“Sempre tão otimista, tão positiva. O que aconteceu com você ?” perguntava-se a si mesma. Por que agora todos os seus pensamentos remetiam a baixa autoestima, ao dramático, ao trágico, ao impossível ? 
Ela sabia bem que o que ela passava, não era o fim do mundo. Pessoas passavam por coisas piores a todo o momento, e ainda sim, mantinham-se em pé, fortes e insuperáveis, mostrando que os problemas dela, não eram nada. 
Mas ainda sim, não conseguia tirar da cabeça que estava casada das coisas. E embora seus problemas não fossem nada comparados ao de outras pessoas, ela sentia-se incapaz. Absurdo, sim ela sabia ! Mas era o que sentia. Já estava cansada de ter dias nostálgicos e melancólicos. 
Sentia-se frente à uma vida que ela não entendia, não sabia como administrar. Pensava que talvez fosse melhor fechar-se em uma caixa figurativa e não levar nada nem ninguém pra dentro desta. Manter-se afastada de tudo e de todos. Manter-se só. Drama ? Forma de chamar atenção ? Definitivamente não. Ela só estava cansada de tudo, cansada do mundo, cansada de sentir-se alienada. Ela queria contar a alguém o que não entendia o que sentia, para talvez chegar a uma conclusão. Mas nem isso ela não era capaz de fazer. “O que pensariam se eu contasse como me sinto ? Chamariam-me de louca, diriam-me para procurar um tratamento!”. E era assim que ela enxergava as coisas. Mantinha-se só, ela e seus sentimentos ininteligíveis, dentro de sua caixa, de onde talvez um dia, pudesse sair.

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