Queria voltar atrás de todos os meus atos. Meu ponto final seria até onde eu não tinha aberto o jogo para ele. Se eu fosse frio, quieto, talvez eu conseguiria manipular seus pensamentos, seus sentimentos. Talvez eu seria valorizado, devido ao meu silêncio, minha frieza.
Vinícios, sempre fora frio comigo. Sempre foi distante, quase nunca falava comigo. E eu sempre corria atrás dele, sempre tentava falar com ele e ele sempre me dava respostas curtas e objetivas, o que me deixava filosofando e presumindo muitas coisas.
Não me lembro como foi, mas me lembro dele ter me puxado de canto e ter me beijado de forma avassaladora. Foi um momento inesquecível, perfeito. Em 2 minutos, estava em outro mundo. Estou enfeitiçado, apaixonado, bobo. Aquele beijo sugou minha alegria, pois sei que ele não se importa comigo.
Preciso abrir o jogo. Detesto esconder um sentimento. Pior que isso é emular um sentimento que você não tem ou não está sentindo naquele momento. Quando estava destinado a abrir o jogo, tomando ciência de que sua recepção não seria o qual eu esperava, repensei diversas vezes no assunto. Cheguei a uma seguinte conclusão: não posso correr atrás dele, é isso que ele quer. Ele vai se aproveitar da situação e, me fará de bonequinho. Serei frio com ele, assim como ele é comigo. O ignorarei em todas as ocasiões, serei curto e objetivo.
Mas eu gosto muito dele! Quero ser mais que seu amigo. Sei que não passará de uma simples “amizade”, mas não me importo. Quero transformar seu mundo, sua vida. Quero converter suas lágrimas e preocupações em um belo sorriso. Quero abraçar-lhe o tempo todo. Quero lhe fazer feliz não importando a maneira e a nomenclatura do relacionamento! Será muito difícil ser frio com ele, mas farei o possível para isso acontecer.
O orgulho tomou conta de nós. Não havia comunicação entre a gente. Era um silêncio eterno. Quando eu ia amolecer, me recordei que era um jogo. Ele continua fazendo isso até eu desistir e voltar a correr atrás dele. Desisto, não quero ser quem não sou. Mas não quero correr atrás de um relacionamento na qual ele irá brincar comigo.
Duas semanas depois, não tinha tanto desejo de vê-lo, tê-lo ao meu lado. Não me importava com sua presença ou ausência. Foi aí que achei estranho. Ele estava sendo gentil comigo. Coisa de outro mundo. Tornou-se mais comunicativo, sua frieza não era aparente, o que deixou meu coração a mil por hora. Deixei atuando sozinho durante um tempo, apenas para ter certeza se não era momentâneo. Me enganei! Ele estava agindo dessa maneira comigo a todo instante. Que raridade!
Agora deixei que meus sentimentos agissem de maneira natural. Retornava sorrisos e olhares, respondia objetivamente seus questionamentos e afirmações, porém sempre com aquele ar de simpatia. Eu tomarei as atitudes cabíveis, antes que eu seja manipulado por aquele garoto! Chamei sua melhor amiga e pedi que ela levasse ele até uma praça, no mesmo horário na qual eu estaria. Feito! Lá estava ele. Parecia apreensivo. Apreensivo? Quem devia estar apreensivo era eu, pois estava disposto a falar que eu gosto muito dele.
Ficamos a sós naquela praça, estava anoitecendo. Tudo como planejado. Antes de eu jogar a real, comecei a dar algumas voltas. Falei sobre mim, pedi para que ele falasse sobre sua pessoa, conversamos sobre gostos e desgostos. Até que ele, e sua mania de chegar agarrando nas pessoas e roubando beijos, cedi um pouco, pois era impossível não resistir àqueles toques. Quando ele estava me levando a loucura, segurei seus braços, me distanciei uns 5 centímetros e me reaproximei. Meu coração estava a mil por hora, mas ainda decidido.
- Vinícios, preciso te dizer algo que está preso em mim há muito tempo. Estou gostando muito de você, seu sorriso, seu olhar, seu jeito me encanta. Mas, sei que nunca poderei te ter como “meu”. Sei que não se importa com isso, o que me entristece demais, mas eu não me importarei. Agora, dou-lhe a chance de fazer o que quiser comigo, pois sei que o que você quer não passa de um simples beijo momentâneo e que daqui a 2 horas você estará com outro.
- O que faz chegar a essa conclusão?
- Sua frieza, seu jeito de agir, sua comunicação escassa. Dá pra ler em seu olhar que você só quer algo momentâneo, o que sabes que não curto.
- Seu bobinho. Você caiu na armadilha que eu fiz. Há muito que estou tentando esconder meu sorriso através de minha frieza. Tenho medo de sofrer, portanto, se eu agisse com um sorriso e me entregasse de primeira, você iria me pisar, assim como todos.
- Eu não sou todo mundo. Você é um covarde!
- Por que?
- Medo de amar, medo de assumir seus sentimentos.
- Você também é assim, se não teria dito seu sentimento na primeira vez em que ficamos.
Ele me deixou pensativo, com uma dose de culpa.
- Nós dois erramos. Você não sabe o quanto eu estou apaixonado por você. Seu olhar, seu sorriso, sua autenticidade, carisma, sinceridade. Isso me encanta demais! Se você continuasse escondendo seus sentimentos, você não sabe o quanto isso iria me fazer sofrer. Portanto, quer namorar comigo?- Vinícios
Ele adora me deixar pensativo, porém com um sorriso. Estou bobo. Enfim, poderei tê-lo em meus braços, amá-lo com toda minha força. Estou muito feliz!
- Era tudo o que sempre quis. Te ter em meus braços, poder te amar tranquilamente, sem medo do que meus sentimentos irão dizer. Estou disposto a viajar com você para onde quiser. Dou tudo para manter um sorriso em seu rosto, para tê-lo comigo. Não farei nenhuma promessa na qual sei que em alguma circunstância da vida não poderei cumpri-la. Eu não vou te fazer sofrer, sempre te protegerei contra tudo. Serei seu amigo, te amarei profundamente.
Nós dois, emocionados com o que havia acontecido, nos abraçamos e, naturalmente, nos beijamos. Foi algo, surreal, não acreditava que eu não iria conseguir dizer meus sentimentos sem deixar que uma lágrima caísse de meus olhos. Não era necessário, pois ele estaria ali, comigo, mesmo que não fossemos namorados, ele, como homem, ser humano, deveria conter minha tristeza.
No dia seguinte, ele foi até minha escola e, de lá, fomos àquela pracinha de ontem e ele me recepcionou da maneira mais romântica possível. Me sentia seguro em seus braços, uma felicidade tomava conta de mim. Queria estar sempre ao lado dele, não desperdiçar nenhum minuto sequer naquela praça. Passei a tarde inteira com ele. Foi tão bom.
Foi um amor cuja beleza era imensa. Pena que é surreal, coisa de minha imaginação. Se eu tivesse agido de tal maneira, talvez minha situação estaria como descrevo neste texto. Quem dera se todos os homens fossem românticos; se ao dizer nossos sentimentos, fosse tido essa recepção na qual teve aqui. Isso me deixa muito triste. Me deixa triste ver muitos casais que passam por isso e eu, chorando por quem não merece um sorriso. Eu ainda gosto muito dele, porém, se caso ele corra atrás de mim, estarei disposto a enfrentar o que for, para tê-lo ao meu lado!
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