domingo, 3 de junho de 2012

Era só uma questão de bom senso. Ela chorava porque não era de ferro. As lágrimas que lhe transbordavam dos olhos tinham algum sentido, que ela se recusava a aceitar. Chorava por medo, por angústia. Sentia-se desesperada ao pensar que mais uma amizade estava se desintegrando e a única coisa que lhe restara era deixar que seus olhos falassem por ela. Seu coração batia fortemente, tentava segurar o choro, mas não conseguia e seus olhos voltaram a se molhar. Desistindo de tentar segurar o choro, ela deixou que suas lágrimas lhe molhassem a face triste. Entregando-se por uma das únicas vezes, ela deixou que seus amigos a confortassem. Pediu colo e um abraço e no final das contas acabou desabando nos braços de seus melhores amigos. Na realidade, aquela era uma das únicas vezes que chorava tão intensamente a ponto de soluçar, uma das únicas vezes que dava-se ao direito de mostrar que também possuía sentimentos e chorava na frente de alguém. Poucas foram as pessoas que a viram chorar, e ela se orgulhava disso. Sentira-se culpada quando ouvira que não era a única que tentava segurar o choro. Mas ela não conseguia sair dali, ficara paralisada por alguns minutos sem saber o que fazer apenas querendo que ninguém percebesse que ela chorava. Não queria demonstrar fraqueza, tampouco coração mole, mas chegara em seu limite. Queria apenas um conforto de seus amigos que ali estavam. Apenas o conforto de seus colos e abraços. Suas promessas de que continuariam a se ver, de que nada seria diferente. Sentia-se fraca, não conseguia entender o porquê de tal desespero. Já havia passado por coisas semelhantes e nunca ficara tão abalada. Talvez tivesse encontrado a amizade que tanto sonhara em encontrar um dia e por isso sentia-se tão frágil quando pensava que perderia-a. Não queria. Seus amigos a entenderam, a confortaram, e ela não tinha nada a fazer, se não agradecer eternamente pela amizade que eles haviam construído com ela e prometer que aquele não era o final da amizade, mas esta estaria se fortificando independente da freqüência que se vissem ou da distância que era imposta. Queria acreditar que estariam juntos, que eles continuariam sendo seus melhores amigos, que eles não a abandonariam, que eles contariam com ela e continuariam confiando nela, que a amizade seria a mesma, e que nada mudaria, porque eles eram seus melhores amigos e ela queria acreditar que eram para sempre.

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