Ali, em frente a janela de seu quarto, sentia o frescor de uma bela brisa soprando lá fora. Não demoraria muito e logo estaria lá fora, junto ao sopro fresco do vento. Mas antes que fosse até a varanda apreciar a rara, porém adorável temperatura, tinha a vontade de se deixar colocar em uma folha em branco, algumas palavras que tinha em mente, talvez para que não se dissipassem posteriormente.
Pensara nas pessoas que estavam em sua vida e naquelas que haviam passado por ela, relacionara isso aos amigos que havia feito: aos que haviam permanecido e àqueles que haviam seguido caminhos distintos e assim se afastaram. Lembrara de momentos importantes, de conversas interessantes, de sorrisos sinceros e gargalhadas intensas, de abraços apertados e o conforto dos mesmos, de coisas feitas que não pensaria que faria um dia, de discussões que poderia ter evitado, de palavras que poderia ter dito e opiniões que poderia ter colocado. Relembrava ainda, de dias passados que foram de uma monotonia não tão castigante e mais intensos, e dias extremamente diferentes dos do cotidiano. Sentia que algumas músicas, descreviam melhor o que se sentia do que é possível explicar. Percebera que desenvolvera seu gosto por leitura, tanto quanto por escritas. Que fazer brigadeiro e comer com colher ainda era um hobby que praticava quando possível, mas melhorara sua alimentação com o passar dos tempos.
Percebia em como havia mudado, crescido, aprendido, mas de como continuava dentro daquele corpo atrapalhado e desastrado que sempre fora. Continuava sentindo falta de um passado próximo, e de amigos distantes.
E apesar de ter mudado tanto, ironicamente continuava a mesma moça nostálgica que sempre fora, talvez, até um pouco mais.

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