Nunca entendi o porque de ser assim, meio altruísta, meio patética e muitas vezes, ridícula. Até hoje, durante toda minha vida, vim sentindo mais do que aqueles que estiveram comigo: Mais carinho, mais amor, mais afeto, mais saudade. Acredito ter dado mais carinho do que recebido, ter amado mais àqueles que estiveram comigo, do ter sido amada, e hoje, ter mais saudade de como o passado era do que as pessoas pensam ter. À medida que o tempo passava, sentia as coisas mudando. Tão intensamente, porém vagarosamente. Ter estado a beira de mudanças a todo o momento, parece ter desgastado um pouco meu ser.
(Ninguém entenderia porque uma moça da classe média, a quem nunca faltou nada, que esteve sempre cercada de pessoas, sentiria-se como uma caixa de vidro, prestes a explodir e deixar voar cacos para todos os lados. Talvez as pessoas que a cercavam, não fossem àquelas que permaneceriam. Talvez ela soubesse disso, e mesmo assim, dizia-se que não era verdade.Talvez tivesse medo, um medo tão profundo que ela fazia questão de ocultar. Talvez, nem mesmo a própria moça entenda. Mas talvez tente explicar.)
A cada “adeus” dito durante minha vida, esperava que não fossem para sempre e que mesmo à longas distâncias as amizades se manteriam. Ora, elas eram reais, verdadeiras e na base do clichê, as amizades sim, eram para sempre. Entretanto, à medida que o tempo passava, a distância só fazia esquecer, e afastar mais. Justamente o inverso do esperado. A um certo momento, o limite chega e a vontade de largar tudo e correr pro meio do nada é intensa. A vontade de deixar as preocupações que sinto das pessoas, a vontade de esquecer do que não vale a pena lembrar, a vontade de aceitar que lembranças são apenas lembranças, e não trazem as pessoas de volta. A vontade de aceitar que o meu amor pelas pessoas importantes da minha vida, não foi suficiente, mas que foi verdadeiro. A vontade. Tantas vontades, nenhuma atitude. Era o que eu gostaria de entender, porque a falta de atitude?
Nunca fui capaz de entender este ponto fraco que sempre me faz voltar e sentir: saudade, preocupação, temor. Talvez seja algo tão passageiro quanto uma chuva de verão. Talvez, seja parte de mim e deva aceitar o que sinto pelas pessoas. Já não sei mais o que pensar, tampouco o que esperar de mim.
Gostaria de acreditar não estar enlouquecendo de tantos sentimentos conturbados, revirando e loucos para se exporem. Enquanto isso não acontece, enquanto os sentimentos confusos permanecem em conflito com a pessoa que as carrega, mantenho-me, ou tento manter-me firme, com sorrisos no rosto e em alguns instantes, lágrimas nos olhos, porque corações também choram.

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