Faltava-lhe inspiração, faltava-lhe ânimo, sentia-se sem saber o que deveria sentir. Estava estagnada em um sentimento sem nome, indescritível, nem bom nem ruim demais, apenas estava estagnada. Já havia sentido tudo o que tinha direito. Observava o céu, pela janela de seu quarto. Via duas cores, um azul e um azul mais claro quase esbranquiçado. Escrevia duas frases a cada cinco minutos e isso tomava-lhe tempo, embora não fosse fazer nada com aquele tempo. Não havia o que fazer, na realidade, tudo já havia sido feito naquele dia. Estava a espera de um novo dia para encontrar novas coisas para se fazer. Seus dias haviam se tornado monótonos novamente, uma coisa que ela não queria que acontecesse. Odiava a monotonia; era cansativa, desgastante, sem emoção, sem novidades, e ela adorava novidades.
Uma dose de alegria constante era o que ela pedia. Adorava quando sentia-se verdadeiramente feliz com pessoas que a faziam de fato, feliz. Mas essas pessoas estava tão distantes, todas elas. Cada uma com um dever, com algo a se fazer, e ela ali, sentada em seu quarto, em plena quarta-feira de férias.
Queria poder aproveitar ao máximo seus meses de descanso das atividades acadêmicas. Não lhe agradava muito pensar que em certo mês as coisas voltariam a ser como eram. Claro que esta monotonia das férias também não a deixava satisfeita por completo, entretanto com estas, ela tinha um tempo para ela mesma e para seus amigos.
Sentia que cada dia ia passando como um único, afinal as coisas não pareciam mudar muito no decorrer destes dias que estavam se passando, mas queria coisas diferentes, queria que cada dia que se passasse tivessem coisas novas para se fazer. Queria sentir que aproveitara bem os dias de descanso que lhe foram proporcionados !
E esperava, e procurava por coisas diferente para se fazer, e estava em uma busca incessante por alegrias, risos, companhia de quem a fazia bem. Só queria sentir-se viva, pelo menos enquanto ela podia.
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