O sono tinha vindo, ido embora e voltado. Novamente o sono havia desaparecido. Eram 01:24h e ela insistia em algumas músicas que a faziam refletir, que a ajudavam a pensar. Ela era assim, normalmente quando uma música a agradava muito ela permanecia apertando o replay da mesma. Isso a incomodava, afinal ouvir uma música repetidas vezes a faz perder a graça, mas ainda sim, ela permanecia ouvindo e reouvindo as músicas que agradavam aos seus ouvidos naquele momento. Seu corpo estava cansado embora não estivesse com vontade de ir dormir. Precisava estar com um sono demasiadamente pesado para que conseguisse desligar seu consciente, de fato. Não queria ir se deitar sem sono, porque sabia que se o fizesse, ela pensaria mais intensamente em coisas que ela não queria. Tanto faz, de qualquer forma, em algum momento do dia, sua mente voltaria a pairar pelos ares indesejáveis, era quase inevitável, ela já havia se acostumado.
De qualquer forma, não sabia ao certo o que fazer tampouco o que sentir. Ela havia se afastado, com a intenção de organizar sua vida, priorizar faculdade e estudos e porque não dizer que ela partiu com a intenção de deixar saudades? Ou tentar tirar da mente e dos seus sentimentos aquele que a havia marcado? É verdade, ela nunca dissera que não o amava mais, ao mesmo passo que também nunca dissera que o amava ainda. Mas ela sabia que o sentimento nela não havia morrido. Sabia que mesmo distante, mesmo tentando partir, ela nunca conseguiria tirá-lo de sua vida.
Ele fora, na realidade, ele era uma pessoa especial, que havia se tornado essencial aos seus dias para que ela se sentisse bem. Não adiantaria as tantas vezes ela tentasse, ela jamais o apagaria de sua vida. E poderiam surgir outros amores, novas decepções, outras histórias, mas ele sempre seria o primeiro.
Talvez por esse motivo ela se sentia-se tão presa a ele, tão dependente de sua companhia - ainda que não fosse real-. Ela gostava de sua companhia, admitia, gostava da amizade que havia mantido com aquele moço. Seu coração ainda batia mais rápido quando via sinais de sua presença e ela ainda abria sorrisos quando ele dizia alguma coisa impertinente. Gostava das conversas que tinham, e da amizade incomum que os dois haviam criado. Era uma amizade aberta, sem nada a esconder. Na realidade, esconder ela tentava. Tentava camuflar o sentimento que ainda vivia dentro dela, mas ela sabia que ele sabia que ela ainda tinha sentimentos por ele. Talvez por isso a amizade deles tivesse se tornado tão, diferente e ao mesmo tempo verdadeira.
Quem visse de fora diria que a moça era louca de manter contato com o moço por quem ela sentia algo. Mas a relação dos dois era assim. E ele lhe jogando na cara que ela o amava e ela desmentindo, mas os dois sabendo da verdade.
Se ela ainda o amava? Ela não sabia, mas tinha certeza de que já havia amado um dia, embora insistisse a si mesma que não havia sido recíproco, não verdadeiramente.
Mas aquela amizade que havia se formado entre os dois, ela admirava, ela gostava. Não queria perdê-lo - como amigo -. Gostaria que essa fosse uma amizade que se perdurasse até o fim de seus dias, assim como as amizades com seus melhores amigos. Ora, ele era um melhor amigo, ou havia se tornado. De qualquer forma, ela o considerava.
Ela já havia tentado esquecê-lo. Não conseguira e sabia que jamais conseguiria. Ela sempre lembraria-se dele como seu primeiro amor e se algum dia tivesse filhos e eles lhe perguntassem quem foi o moço do nome que a fazia olhar o horizonte, ela apenas diria que foi o primeiro que ela teve certeza que amara.
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