domingo, 3 de junho de 2012

A janela de sua sala estava aberta e o vento soprava tão intensamente do lado de fora que fazia com que a cortina balançasse como se quisesse se desprender da barra que estava presa. Estava sentada em seu sofá haviam horas, e sentia-se estranha. Cansada talvez, não sabia ao certo. Seus braços estavam cansados, sua cabeça girava e suas mãos tremiam. Não sabia o que estava acontecendo, mas parara para pensar. Pensava em como sentia falta de seus amigos. Reparara que depois que ela havia se afastado por motivos pessoais e voltara, algumas coisas haviam mudado. Nunca quisera admitir, mas ela era culpada. Culpada de ter se afastado e deixado que as coisas esfriassem demais. Fazia tempo que não conversava de verdade com seus amigos. Qualquer um deles. Alguns já haviam se afastado mais, outros menos, mas todos estavam partindo, pelo menos era o que ela podia sentir. Não queria que suas amizades terminassem assim do nada, na realidade não queria que terminassem (óbvio). Talvez estivesse se sentindo dessa forma porque estava desesperada, buscando por colos que ninguém podia oferecer, não porque não fossem capaz, mas porque ela não sabia como pedir. Achava que se o fizesse, pareceria drama demais, carência demais. Achava que se pedisse colo, ouviria apenas um “não se preocupe, tudo vai passar!”. Mas passar exatamente o que? Ela não estava sofrendo tanto assim por amores, não estava mal por conta de coisas que aconteceram em casa, tampouco havia se machucado fisicamente. Ela apenas estava com medo. Sim, ela temia por perder amigos que considerava serem verdadeiros, para sempre. Queria sentir um abraço apertado, e ouvir “nada vai mudar, nunca vamos sair daqui e mesmo que um dia venhamos a nos afastar, voltaremos a nos encontrar, porque nossa amizade será para sempre, sim!”. Estava cansada de ver pessoas entrarem e saírem. Não queria que acontecesse novamente. Queria que dessa vez, essas amizades fossem de fato, para sempre. E ela amava seus amigos, só não demonstrava da forma convencional, mas de uma forma que só quem não se sentia ofendido entenderia.

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